domingo, 5 de fevereiro de 2012

Eu já sabia que vinha antes de chegar. Não digo que esperei. E, no entanto, é como se a espera fizesse parte até da partida. 

É como se agora, em meu peito, girasse uma bola de fogo. Como se as coisas, lugares, símbolos, situações e músicas fizessem sentido.


Só faz bem. Independente do amanhã.

sábado, 25 de dezembro de 2010


Não quero dizer

Nem peço que ouça

Talvez transpareça

Desejo aflito

Você se interessa

Essa noite

Tão cheia de lua

De susto

De tantos


HÁ TANTOS DIAS


Está passando...

... Sem pressa

Sem prece.






Van Gogh - Noite Estrelada 1889

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

É ruim quando uma ideia me pega pra cristo. Aquilo ronda louca em espirais em volta da minha cabeça. Vou deixando, vou deixando; me perguntando onde é mesmo que eu vou parar. Mas ela não para. Circunda. Circula. Balé. Entro na dança. Me distraio com o percurso não percorrido. Imagino rotas de fuga. Tenho planos de todas as letras. Abandono estratégias. Caio cansada. Morro. E sinto uma obrigação cristã de renascer. As ideias lá, nem se compadecem. Continuam suas coreografias repetitivas. Fica monótono. Tenho vontade de desistir. Mas sei que não desistiria. Eis que surge a grande borboleta preta. Tenho vontade de cuspir na sua cara.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

some
resta
mar
me resta
amar

terça-feira, 15 de junho de 2010

Ao entardecer
As cores vão embora
As dores tomam forma
Anoiteço.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Holográfica




Felicidade sintética
Patética
Humor cáustico
Caótica
Candura poética
Sádica
Maléfica, às vezes
Prática
Completa de fábrica
Mística


Ótica
Retórica
Estética
Analítica

Mistura de dores
África
Mistura de cores
Holográfica.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

E se, em sua busca, achar um coração partido?

quinta-feira, 3 de junho de 2010

E U te D E S E J O...
Muito.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Caio Fernando Abreu, seu safado!

domingo, 30 de maio de 2010

Melancólica

Plural.
Identificar-me
Ver-me no outro
Ver-me
Sentindo-me mal
O verme próprio

Outra dimensão
Ir
Inércia
Sem sair
Entrar
Te encontrar
Sabe-se lá porque
Falando do outro
Outra

Caio em mim
Vacinada
Virgem
Escorpião de boca grande
Devorador de vísceras
Impulso
Monogamia
Resgate?
Obrigada

Âmago
Amargo
Evangelho de Saramago
Viva e estéril
Frágil
O cigarro ...
Vida cachorra
Demarcando território

Disfarce
25 motivos
Tensão primeira
Suspeita
Seu peitos
E seus olhos
Fogo!
Sexy, muito sexy
Lingua entre dentes
Perfeito

Palavras
Lavanda
Rock and Roll
Metrópole logo ali
Atípico
Prefiro ficar
Auto flagelo
13...

quarta-feira, 4 de março de 2009

EU T.AMO

"E" caberia no lugar do ponto final. Não caberia espaço. Viver sem julgar é conjugar um verbo, erroneamente (bendita seja a licença poética), em primeira pessoa e no plural.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Ai, se eu pudesse falar tudo o que eu penso
Se eu pudesse, antes, pensar no que falo
Quem dera poder escrever o que imagino
E que fosse só imaginação o que escrevo ...


Paula Zürk em 25/02/2009.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Vou-me embora pra Pasárgada ...

nada na tv
no pensamento
de ontem
sou lembranças
de céu
ponta-cabeça
o sol saindo
me expelia
expunha a pele
ao zoom de verde
marshmelow
de terra
grudando
no calcanhar
crianças crescidas
entorpecidas
pela vontade
de ser formiga
de sentir formigar
no peito
o aconchego
do nada
nada na tv
cefaléia crônica
vozes invadindo
o ouvido
que antes era
morada do silêncio
do barulho de
risos e animais
E é lá na morada
do nada que
se esconde
o ninho e
o pergaminho
com autorização
para eu ser
completamente
louca
a loucura me mora
o silêncio ...
só completa a mente.

Paula Zürk
em 05/11/2007



quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

E, de repente, fez-se o tédio.

Eu tenho a saudade maior do mundo; aquela que dói no fundo do peito, faz faltar o ar, roer as unhas, não querer sair de casa. Saudade do que quase foi ou nunca chegou a ser. A saudade dos pais ausentes é tão redundante que, essa, já me faz companhia. Tenho saudade do filho que não tive, da paz que nunca senti, da tranqüilidade e segurança que nunca pairaram na minha atmosfera.

Já entediei até de duvidar de deus. Entediei da tv. Entediei do rádio. Entediei da solidão persistente e sagaz que insiste em não querer ir embora. Entediei da vida.


Às vezes, a gente têm medo de ir. Outras, a gente pensa em voltar. Um dia, a gente vai ... e não volta mais. Lá deve ser muito melhor, ninguém quer saber de voltar pra contar.





Terceira (e última) regra

As regras existem para serem quebradas.

Antes fugir da polícia do que do tédio. Eu não saberia dizer, em qual exato ponto e momento, a fina linha que separa a razão e a emoção torna-se invisível. Eu, embriagada, anestesiada, extasiada e esquecida deixo vir à tona o absurdo e também o óbvio.




sábado, 6 de dezembro de 2008

Regra número dois

Pescador que cai no canto da sereia, tem história para contar.

"O Pescador"-1925. TARSILA DO AMARAL

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Regra número um

Todo rei que perde a sua rainha, principalmente para outra rainha deve, cordialmente, aceitar o xeque-mate.

Chegou, como sempre, linda. De fora para dentro, confesso. Para mim, o suficiente. Eu, tão cansada de explorar mares a fundo, queria algo mais superficial. O que eu criei já não mais existia e, no seu lugar, algo que não se podia chamar de criação.

Ela era, naquele momento, a minha realidade escancarada. Alguém que se esqueceu até de sentir e, de repente, pára e pensa que não quer mais pensar. Que não aguenta mais. Que já tem náuseas da hipocrisia covarde que não machuca, não dói, não caga e nem sai da moita. E eu, sem nada a perder.






segunda-feira, 14 de julho de 2008

Empatia ...

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Ela gosta da rotina
Eu chego na hora todo dia
O mundo corre demais lá fora
Aperta o peito em meu peito
Me olha tão perto ...
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Esqueço o resto todo
Ouço e não quero dizer
Quero poder observar
Onde fica o exato ponto
Deduzindo parte a parte
Onde é o meu lugar
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Ela gosta da nossa rotina
Chegamos na mesma hora
Quase todo dia
Ela me deduzindo
E todo esse lance de empatia
.
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domingo, 22 de junho de 2008

Condição ? Há !

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Escolhemos pessoas tão opostas para podermos admirar no outro o esforço em ser diferente. Esforço para transmutar-se naquilo que somos nós. E são os nós. Somam-se os nós.
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Escolhemos vidas tão diferentes dos nossos desejos mais fortes para termos o prazer da surpresa ao descobrirmos que o inesperado é o melhor.
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Escolhemos ser o que somos acima do que pode ser Deus, do que pode ser certo e aceito só pela ousadia de ser feliz, no céu, em "má companhia". Absolvida por si.
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sexta-feira, 30 de maio de 2008

ANESTESIA

Se escolho me drogar, fico alheia e anestesiada. Então, decido ser gente, encaro uma crise de abstinência dos diabos e encaro o mundo que me olha de cima, com seu charuto fedorento, me sufocando, me trazendo mais uma crise de asma e incontáveis eczemas.

Acordo limpa e assim tento me preservar, em vão. Todo dia é sangue espirrando das plataformas, dos narizes, das feridas, dos corações. Relógios espalhados por todos os lugares que olho me fazem lembrar que há algo muito importante que foi esquecido e que, com certeza, me trará conseqüências. Se eu fosse uma pessoa séria, pensaria nessas conseqüências, planejaria, teria foco no futuro e seria, no mínimo, mais empreendedora.

É tanta técnica, é tanto ritmo, é caótico. Tudo robotizado, sincronizado, em seguida, sem espaço; senão não funciona. A porta prende meu braço. Na seqüência, me sinto confortável pelo simples fato de poder apoiar meus pés no chão e não ter um órgão genital masculino esfregado em mim. Atrito desnecessário. Pra onde se olha se vê os masturbantes tentando reduzir suas angústias, suas frustrações.

Eis que, contraditoriamente, no meio da semana, acordo com sorte. Consigo respirar. Tem ar. É condicionado, mas eu também não posso ser tão pessimista. Aquele corredor que outrora foi palco de discretos gladiadores, está vazio. Lembro-me da “caixa de Skinner”. Mais um apito. A porta se abre. É um cara que veio de longe, está com a barriga vazia, morrendo de vontade de um monte de coisa, morrendo de saudade da família, respirando esse ar sujo, sem dinheiro para sequer se arrepender e voltar atrás. Ele saca da viola e tenta me mostrar que a sua desgraça é tão maior que a minha, que eu terei vontade de chorar. E eu tenho. Ele é bom no que faz.

Dia-a-dia é coisa pra adulto mas, nesses lugares onde as pessoas são obrigadas a andar se quiserem comer, sempre dá-se um jeito pra tudo. O moleque entra com sua caixa de engraxate, agora pouco maior que ele, resmungando palavras que, alguém muito mais esperto que ele, o ensinou a repetir. Eis que surpreende a todos com o engasgo que não estava no script. Aquela mamadeira, aquele colo, aquele amparo... Eu me identifico. Naquele momento, sinto o que ele sente. Sou crescida e pareço tola. Retomo. Foco! Não posso sucumbir agora.

Quem sucumbe, tem lugar reservado. A proporção é surreal e mesmo assim, há os que se acham no direito de se sentirem debilitados sem ao menos transparecer. O senhor que já se despediu da metade de sua face, tateia e tateia afim de achar o bom senso de alguém que lhe ajude a prosseguir viagem sem que a ocasião lhe leve a outra metade. Não pela bondade mas, pela percepção, ele tem sorte. Hoje eu estou ali e vou travar mais uma discussão irrelevante com um ignorante qualquer. Amanhã ninguém se lembrará de nada, não é mesmo? Ele não se lembrará também porque está acostumado a não ter a quem se lembrar. As recordações já lhe parecem delírios em meio a essa realidade.

Se eu fosse Deus, os colocaria diante de mim: o violeiro, o menino e o velho. À eles diria que não existe uma só realidade e, sim, diversas delas. Mas não sou Deus e não entendo nada de realidade. Só sei que isso existe quando ela despenca na minha cabeça. Corro como cão atrás do rabo. Duelo louca sabendo que ela há de ganhar. Sabendo que amanhã serei só mais uma.

É por isso que amanhã será outro dia, outra realidade, outra empreitada. E amanhã será depois de amanhã. E depois, qualquer dia desses, se me encontrar alheia e descabelada, não me recrimine. A cirurgia da existência requer uma boa anestesia.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

é o que tem pra hoje ...

.
.
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Olha, eu nunca retiro o que eu digo.
Eu só sei que eu amo.
E eu amo pra valer
Me basta, não sei à vocês
Mas não posso me preocupar
Assim, constantemente
Tem muita gente, tem muitos olhos
Muita opinião que contraria
minha condição
...
Então só vivo o dia mesmo
O que tem pra hoje
Amanhã se dá um jeito
E o jeito que me dá
É o jeito que me entrego
...
Se me abandonar
Não vai surpreender
Tô vacinada
Quero é sair do lugar comum
Que me deixaram
Que me amarraram
Que me quiseram
...
Quando meu dia chegar
E ele vai chegar
Eu vou estar ao seu lado
E te provar
Que não preciso de você
Só quero estar contigo
.
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23/09

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

tpm tbm

Burlar suas próprias leis, trair suas crenças, quebrar certos paradigmas e, por fim, ignorar a ética. Isso pode ser o instinto de saber exatamente do que o outro é capaz.

sábado, 22 de setembro de 2007

só, com você.

talvez seja recompensada no final
talvez não
sonhei, não acordo
concordo quando dizem
sei que não estou no padrão
normal é bobagem
dor, já acostumei
então amo
amo loucamente
e louca sigo
e te sigo
até o fim da estrada
e o fim da estrada
é você quem faz
deixa continuar
deixa querer ser melhor
amanhã não se sabe
o que nos espera
me espera pra sempre
que eu hei de esperar
por você
por seu caminho
seu carinho
me livra de penar

domingo, 16 de setembro de 2007

Sina

Até os meus piores defeitos, aqueles que eu mesma repugno, eles são meus. E deles eu não abro mão.

Deveria me arrepender dos meus erros? Somente se eu não tivesse aprendido nada com eles. Não quero parecer arrogante mas acho que é a imagem que acabo passando. Quer saber? Foda-se.


A opinião de algumas pessoas me importam, e muito. Então, eu comecei a pensar na possibilidade de repensar sobre o arrependimento. Mas é só uma possibilidade.


É estranho gostar de alguém como um irmão e saber que essa pessoa não confia em você. Não há nada a fazer. Não há mais o que dizer. Não quero provar nada. Mas é injusto. São tão poucas as pessoas que gosto e sou leal que quando ofereço isso em vão é triste. Mas eu acabo entendendo.


Tô bêbada pra caralho.


Ainda existem pessoas com a mesma dinâmica que a minha. Descobri isso hoje. Não sou eu quem não me entrego nas relações. É a maioria quem não merece.

Momento foda. Não consigo expressar.

Pau nos nossos cus.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Travessia Monossilábica. Eu sei, esse titulo não faz o menor sentido. Títulos devem ser curtos. Minha cabeça ...

Quando vejo, tudo já está uma bagunça. É como num passe de mágica. As idéias, outrora tão bem organizadas, se camuflam entre roupas jogadas por aí. Sinto que por todo lado há algo importante de que me esqueci de fazer. Na verdade, uma arte. A arte da procrastinação.

Penso, às vezes, que as coisas têm vida própria. As pessoas não. Somos coisas das coisas.

Chegada a hora do travesseiro. O travesseiro é o melhor espelho. É você com você, sem deixar que os olhos te enganem. E daí, me pergunto: quantos dias mais desses serão necessários pra que eu perceba algo que vai mudar a minha vida? Mas não lembro de ter acontecido com alguém. As pessoas são sempre as mesmas?

Eu mesma não sou a de ontem. Ontem, no sentido literal da palavra. Porém, por ética, devo manter as dívidas, promessas, compromissos. Os compromissos nem sempre.

Quando se tem um compromisso por vontade própria é diferente. Você se quer naquilo. É. Há algum tempo atrás eu diria que isso é alimentar uma neurose. Me sinto mais feliz quando me sinto ignorante. O conhecimento nunca me serviu de muita coisa mesmo, já que as minhas melhores experiências não foram nesse sentindo.

Pense demorar vinte e sete anos para dizer à alguém que você a ama. Eu não vou dizer que o amor é social, não mais. E, se ele for, eu não quero nem saber. Eu quero apenas senti-lo da maneira que convir ao meu Ego.
Parei de procurar explicações. Embora, muitas vezes, elas se atirem à minha percepção. Entrego-me. Eu quero ser primitiva, arcaica, sinestésica emocional. Como sempre fui e nunca me permiti.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

FUMAÇA

Chama que devasta tudo
Tudo o que ficou pra trás
Traga o que for bom pro pensamento
Todo o resto queima e abstrai
Traz a esperança de ser bem maior
Leva a quem precisa, cais
Faz flutuar no ar o que for denso
Quero toda a luz que for capaz
Enquanto a matéria dorme
A mente liberta e satisfaz
O desejo já nao me consome
Eu é que consumo a paz
Me inspira
Me aspira
Me faça
Traga de volta
Solta como fumaça
Paula de Cillo
04/set/2007
Poesia registrada

sábado, 25 de agosto de 2007

reflexão de quinta

Eu tenho a impressão de que quando eu digo o que eu sinto, as pessoas fogem. Se afastam por algum motivo que eu desconheço. Outras vezes, a vontade de dizer é tão maior que eu aposto tudo o que acho que tenho pela simples possibilidade de estar errada. Sendo a vida também um perde ganha, eu ganho o sorriso e perco o medo ou ganho choro e perco tempo ? Se não ganho, não perco. Isso é fato.

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Sou nada

.
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Como tatu que não sai da toca
Dou mas não me doo
Sufoca tanto quanto enrosca
Os poros pedem
Os olhos chamam
A noite chega e eu não sou nada
Mais uma vez
Eu não sou nada


Meu combustível
É o que te traz pra mim
E o seu sorriso, gozo sem fim
Espero a hora que demora
Disparada eu, relógio parado
Cismo, karma, impasse e pronto
Tá armado o circo
Comigo é assim


Pranto que apronto
Pra não te ver pelas costas
Sua enquanto me tens
E se não tens, não sou nada
A noite chega e eu não sou nada
Mais uma vez, sou nada
É piada nascer inteira
Se a vida me retalha
.
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sexta-feira, 17 de agosto de 2007

pequenez

Eu tento perder o hábito de abrir a minha maldita boca para dizer o que eu penso. Mesmo que não se escreva o que se diz, algumas palavras ficam guardadas num compartimento secreto que não se têm acesso e, a qualquer momento, algumas delas submergem em nossa memória.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

indiferente ?

Velhas inquietações para a alma. Aquele velho medo do não-sei-o-quê. Desejo do novo que ainda não existe e o pressentimento de que algo está por vir. Talvez alguma coisa que me faça pirar e passe. Talvez algo que me enlouqueça de vez.

Não posso mais me lamentar. Não consigo. Qualquer tentativa de externar uma lágrima traz, consigo, a sensação do ridículo. Ela nem sai e eu fico pensando como deve ser bom permitir-se ficar triste, carente. Enfim, meu bloqueio é tanto que paro por aqui com a mesma sensação de sempre.

Provavelmente deve ter sido diferente algum dia. Se eu rememorasse ... Melhor não. Incrível como o sentir me leva a conexões caóticas com outros seres.

Algum dia imaginei que existisse para cada pessoa pelo menos umas outras três pessoas ideais. Dessas que te entendem, que participam, que doam, que estão muito "aí" para você, que fazem sexo da maneira que você gosta mas, que às vezes fazem amor.

Penso agora que se pode criar a ilusão de ter tudo isso. Como viver alucinado, delirando, sonhando. Mas há momentos em que a lucidez é implacável e é impossível não perceber a realidade tal como ela é.

Desaprendemos a fazer laços porque o nó é bem mais prático. Nós. Nó na garganta.

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Procuro erros onde não tem
Errante, sigo nosso caminho
Único escolhido, criei juízo
Sem saber o que continha seu riso

Seguro com força a sua mão
Mal sei o que segura com a outra
Contra mim quem eu fiz aliado
Tanta febre, insônia, estrago

Morre em suas palavras
Macabras quanto meu susto
O impulso que me trazia
Para a sua cama vazia

Eu desfazia alguns nós
Você laçava e ria
Nós ... A sós
Matava, comia

Eu La, você em Si
Eu não sabia
Enquanto ouvia e falava
Você negava e mentia

Paula de Cillo - 09/07/07

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Apesar das diferenças que a indiferença me traz, continuo vivendo. Adiante, então.